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A vida está abaixo da lei O caso Jean Charles de Menezes está, ao que tudo indica, dado por encerrado. Mas quero destacar, aqui, algumas considerações. Parece-me que a vida perdeu o valor mais sagrado existente na terra. Não me refiro somente à maneira impiedosa no qual o brasileiro foi morto no metrô Stockwell, em Londres. Há algo superior à vida de uma pessoa. O caso de um mineiro eletricista leva à tona algo a ser ressaltado: terá a Legislação de qualquer nação um contraponto que rebata casos falhos de qualquer sistema do governo? Já não me surpreende mais com o que acontece aqui no país, mas o caso não é este. Um país como a França que se localiza em um continente de Primeiro Mundo, segundo o FMI, sendo a oitava economia mundial, junto com a Alemanha e Inglaterra, são três fortes concorrentes à liderança econômica da União Europeia, tratará temas cruciais como direito à vida e à segurança como secundários? Queria isolar o caso do despreparo da polícia brasileira, mas acho que se tal crime acontecesse no Brasil, o caso ganharia outra dimensão. Não digo que as leis de um país prevaleçam com maior importância a um indivíduo do que a outro, não é isso. É questão de indignação, e não de banalização. Matar um inocente parece tão comum hoje em dia, que lágrimas e confrontos entre manifestantes e policiais já é algo visto como apenas um caso a mais. Alguns sites de notícias destacaram morte por engano. Diria mais que engano: uma leviandade cometida por agentes que não têm condições de fazer tal abordagem a um civil qualquer. Claro que uma notícia deve ser imparcial, desprovida de emoção, mas a repercussão dos comentários não esteve aquém do esperado? A indignação, quando une sentimentos, se torna mais forte, homogênea, onde o espírito de uma meta se torna mais possivelmente ser alcançada. Faltou tal indignação partindo da imprensa brasileira, para que repercutisse no sentimento da população em geral. A opinião pública tem a carta na manga para dar o ponto de partida a casos que não devem ser lembrados como apenas mais um. Será que seriam necessários sete tiros para dar por vencido um suspeito? Ou melhor, não, seria necessário atirar em um suspeito para deixá-lo indefeso? A SWAT tem a capacidade de imobilizar um infrator, qualquer seja, em menos de um segundo. Não poderia a Polícia Metropolitana utilizar a abordagem da imobilização, garantindo a integridade física do acusado, até ser confirmada tal suspeita? Lidar com situações parecidas como a de Jean Charles, confundido com terrorista, deveria servir de alerta para futuras abordagens policiais, e não como só mais um caso fatal. Outra circunstância que podemos reparar é a falta de semelhança entre Jean Charles e o terrorista, no qual ele foi comparado. Nota-se que o brasileiro é branco, diferentemente de Hussain Osman, negro e de feições desiguais. Aparências à parte, o que é valor da vida para quem decide matar e aos que decidem inocentar ao invés de culpar?
Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 19h16
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A arte do improviso O improviso é, na sua maioria das vezes, crucial na vida das pessoas. É algo capaz de taxar-nos positiva ou negativamente, no decorrer de nossas vidas. Os mestres do improviso são os que sabem tirar de letra certas situações inusitadas. Um exemplo disto são aqueles trovadores que sabem, no exato momento, quando solicitados, a declamarem rimas gauchescas em qualquer situação. Eles deveriam ser homenageados, lembrados, destacados nacionalmente. É uma façanha. Outras improvisações geram constrangimento, desde que quem fale não consiga desenvolver o tema. São, às vezes, uma ou duas palavras que fazem a diferença. Um exemplo disto são aquelas entrevistas em que a pessoa entrevistada naquele diálogo que flui, acaba trancando as palavras. O palavrório é uma marca fixa em qualquer situação. Homens públicos sabem bem do que se trata. Época de eleição, então, o improviso é um manjar dos deuses, se bem utilizado. Dois tipos profissionais que considero eternos improvisadores são locutores de futebol e atores de teatro. Este último não tem o recurso de voltar, regravar. Eles são dinâmicos, mais do que isso, têm uma audácia de saber desenvolver o tema com passagens que não estejam ligadas à cena. Os locutores esportivos têm, antes de tudo, um forte aliado- saber o que falar. Eles falam rápido, e têm, na sua maioria das vezes, um vocabulário riquíssimo. Salvo algumas exceções, eles são outros grandes mestres do improviso. “Palavras como “suspendeu”, avançando no comando”, “passando pela meia direita”, ao narrar um jogo, parece algo familiares a eles, mas não queiramos estar na pele destes profissionais, ao segurarem um microfone, ao vivo. Narrador esportivo deveria, pelo menos, ganhar um décimo do que ganha um Ronaldo da vida, já que a emoção do gol passa pela boca de quem o narra. Quem sabe lidar no improviso, torna um tema emocionante, independente do assunto, ou ao menos, agradável. O narrador que consegue isso, ou até mesmo um trovador, e porque não um ator de teatro, são os verdadeiros atores da fala, os profissionais que sabem guiar o público em uma boa conversação.
Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 23h24
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Sou americano Sou americano, e daí? Somos todos americanos, só que cortaram o mapa. Mudaram o rumo da história, porque somos americanos e não somos estadunidenses, sacou? Somos americanos, brasileiros, latino-americanos, sul-americanos, enfim, somos a relação de todo povo americano porque nascemos na América, não somos ianques, não somos necessariamente nascidos no país mais rico do mundo para semos americanos. Quem botou essa generalização imbecil na cabeça de todo mundo? Sei que é mais difícil pronunciar foneticamente norte-americano. Opa! Canadá também é América, no entanto nos referimos a eles por canadenses. Não de norte-americanos, se estão acima dos Estados Unidos geograficamente. Os Estados Unidos dividiu o mundo em faces. Agora somos sub- denominação americana, somos párias da América. Nós não temos mais pátria no continente americano. Somos o quintal dos Estados Unidos, os escombros da Ditadura verbal, econômica e dominadora há séculos. Os Estados Unidos venceram URSS, agora estão dominando a América, querem dominar o mundo. O inglês é a língua mais influente, mas não a mais falada. Os EUA ditam tudo mesmo. No fim, a América vai virar Estados Unidos do Sul, Estado Unidos Central e Estados Unidos do Norte. Não iremos mais colocar EUA. Somente E.U. América será uma redundância para os Estados Unidos. Meu país será apenas meu país. Para que estudar os países americanos no colégio, falemos somente dos Estados Unidos. Não preciso tomar Cola-cola nem comer no Mc Donald’s, tampouco falar inglês, porque sei que sou americano de qualquer jeito, perifericamente, mas sou.
Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 00h20
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Uma resposta ao Brasil Tenho a impressão de estarmos em Marte, talvez na Lua, mas nós não estamos no Brasil. Esta impressão ressalta o tema da música Que país é este, do Legião Urbana. Pois bem, não estamos em país algum, estamos mitologicamente falando de Brasil. O Brasil é um país que mais parece uma mitologia moderna, onde a imaginação do outro mundo rola à solta. A música começa com “nas favelas, no Senado, sujeira para todo o lado”. Será que há só sujeira no Brasil? Custo a acreditar que o Brasil existe da forma como os vemos. Não falo de um Brasil imundo, sem nada limpo. Refiro-me a um país pouco aproveitado, pouco explorado e pouco diversificado por seu povo. Diversidade cultural, social e etnológica, sim, existe, mas nós não a diversificamos, porque costumamos tratar o brasileiro sempre da mesma forma. Um exemplo é o índio. A vida natural que ele leva. Todo mundo tem a base o índio por volta de 1500. Conceito mais antigo, este. Vamos analisar o índio de outra forma, porque ele é o que é hoje? Nós ainda não escavamos o Brasil, falta muita água ainda a ser encontrada nele. O que temos é um lago, perto do que poderíamos ter encontrado. Pouco sabemos de nossas raízes. O índio, na verdade, serviu de escolta dos colonos para defender as terras exploradas contra invasores. Este anseio do índio com a natureza vem da sua origem. O índio é o sujeito mais simplista que eu conheço. Prova é que ele conceitua o animal, qualquer animal que seja portador de alma, e da mesma capacidade intelectual que o homem. O negro era dos mais bem tratados na época colonizadora. Eles comiam melhor que os senhores. Eles eram fortes, tinham uma estirpe duradoura. Conhecemos o negro pelo escravo dilacerado pelos laços. Só essa visão que temos? O Brasil precisa ser explorado por nós, assim como vieram os portugueses e se apoderaram de nossas riquezas. Temos que ter o ímpeto de um caçador, o fôlego de uma criança e a curiosidade de quem tem sede de saber.
Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 00h11
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