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Quando ler perde a motivação

Muito tem se falado sobre o quanto é desprazeroso contar o final de um livro. Mas para mim, mais desprazeroso ainda, é conhecer o desenvolvimento do enredo, antes mesmo de iniciar a leitura. Procurei sempre fugir de subsídios que ofereçam apoios a leituras clássicas ou nem tão clássicas assim. É uma forma de sermos influenciados numa segunda narrativa, a de quem critica o livro, a termos uma abordagem sobre o tema. Com algumas ressalvas, sempre procuro me aprofundar sobre certos livros depois que o leio. Exemplo: já pesquisei sobre o Moll Flanders, de Daniel Defoe, narrado na primeira pessoa, conta a história... Enfim, vai perder a graça se eu contar.

Dois livros que se valeram de apoio para minhas leituras, foram Ésquilo Prometeu Acorrentado, de Sófocles, que desenvolveu a teoria do Complexo de Édipo, e Idade da Razão, de Sartre, um baita romance sobre a liberdade do homem. São leituras envolta de certa psicologia que deve ser analisada por um terceiro recurso- comentário aprofundado de quem o le.

Mas fora tais exceções, sempre achei que nós mesmos devemos ter nosso próprio entendimento sobre certos livros- estes, claro, quando não analisem uma profundeza da natureza humana e social.

Acho que os críticos literários devem ter o maior cuidado possível sobre como criticar uma obra. Cuidado para não contar o desenvolvimento do livro ao leitor, de forma que este não tire suas interpretações prévias antes de lê-lo, é uma.  

O cinema preza muito este método de não contar o final de um filme. Pouco se tem dito a respeito de um livro. O livro tem uma profundidade muito mais analítica de que o cinema, porque aquele raramente tem imagens, ao contrário deste. Além do mais, falar sobre um livro seria debater primeiro a vida de um autor. A sua biografia deveria ser prezada, visto que ele possivelmente sempre dará o mesmo suporte a um que deu a outro.



Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 14h56
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      Internet emburrece?

   A internet tem várias faces, mas uma sempre se destacou: a rapidez. Mas com a rapidez podemos fazer várias coisas na internet, como por exemplo, ver um vídeo de cinco minutos no youtube, ler e responder os e-mails, ficar inteirado a respeito do mundo afora. Mas pouco se fala da sua forma como é usada. Afinal, a internet emburrece?

   Para uns, ela cria certa impaciência. A sensação da rapidez, associada ao mundo moderno nos torna reféns da instantaneidade. Todos nós queremos ver as coisas no mais rápido possível, porque estamos numa teia ligada onde tudo acontece rapidamente. Entra aí um novo paradigma da internet, não mais a rapidez, mas a sim a forma como ela é usada. Usa-se internet na maioria das vezes como forma de diversão. Baixar músicas, conversar no MSN, ver o Orkut, etc e tal. Muita gente acha uma tremenda perdição ler por dez minutos um artigo de Lytoard sobre Pós-modernismo, no entanto, não se cansam de ficar três horas ficar no MSN. O que está em questão não é a ferramenta, mas sim o uso que fazemos dela, pois nós a manipulamos, e nós a executamos, portanto temos a autonomia de gerenciá-la.

    O desafio seria tornar temas cultos mais popularizados. Mas para isso seria necessário fazer uma desconstrução. É difícil encontrar um tema que fale sobre a influência da arte no pensamento moderno, sem enaltecer a vaidade de quem a escreve. Isto porque escrever um tema culto está ligado a uma forma de linguagem direcionada a um público restrito, automaticamente suposto que serão as elites. Essa forma de pensar deveria ser pensada de pilares em pilares, pois a internet dita um novo jogo chamado rapidez. Eu, por exemplo, não teria paciência de ficar consultando dicionário a cada palavra numa tela de computador. Isto afasta o leitor.

    O tema não é mais se ela emburrece, mas será que a maneira como a utilizamos deveria ser mudada para outros fins?



Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 21h01
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Um bom negócio

Ser pessimista é uma virtude. É uma defesa contra surpresas que o destino nos prega. O objetivo de conquistar as coisas, sempre gera otimismo. Mas o otimismo gera, certas vezes, conflito com a realidade, quando esta se apresenta de maneira inesperada. Ser pessimista é mais do que uma virtude, e uma proeza inigualável contra os abatimentos, a angústia, um antídoto contra a sensação de fracasso.

Amparo-me a um conceito único que, quando colocado em prática, vigora melhor a um mundo real de hoje em dia do que qualquer outra noção otimista que tenho conhecimento. Para começar, o otimismo gera uma sensação de desligamento com o mundo real, uma ruptura do que é real e o que é sonho. O otimista sempre irá ver o mundo de acordo com seu desejo, independente das condições reais deste. No fim, o abatimento pode muitas vezes ser maior do que uma motivação construída para alcançar o objetivo não conquistado.

Hoje em dia, viver nas nuvens é um banho de água fria em quem pensa construir as coisas pensando sempre nas mil maravilhas. Os pessimistas partem da suposição do não e do impossível para construírem suas metas. Eles têm os pés no chão, e se suas apostas se concretizarem, terão sempre presença de espírito ao se defrontarem com suas etapas não vencidas. Eles, sim, não vivem num mar de ilusão. Fazer as coisas pensando que não irá dar certo, e fazê-las com cautela, não apostando todas as fichas do jogo precipitadamente naquele objetivo, que às vezes, será intransponível. Ser pessimista é um bom negócio.

Luis Fernando, estudante de Jornalismo.



Escrito por Repórter Fonte Dinâmica às 21h39
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